Pós-produtivismo, Colaboração e Resiliência na Era das IAs

Meetup Conect.AI Startup – Salvador (BA)

• 10h40
> 10 out – 2024
Evento presencial no Parque Tecnológico da Bahia

O tema “Pós-produtivismo, colaboração e resiliência na era das IAs” explora como a Inteligência Artificial pode transformar a sociedade, promovendo uma transição de um modelo focado no produtivismo para um mais sustentável e colaborativo. A automação e a IA têm o potencial de liberar os humanos de tarefas repetitivas, permitindo maior ênfase em criatividade e colaboração, além de fomentar a resiliência diante de crises sociais e ambientais. Essa transição, no entanto, demanda reflexão ética sobre as implicações do uso massivo de IA, garantindo que os benefícios sejam distribuídos de forma equitativa.



ROTEIRO — “Pós-produtivismo, Colaboração e Resiliência na Era das IAs”


SLIDE 1 – Título

Pós-produtivismo, Colaboração e Resiliência na Era das IAs
Integrando Rifkin + Latour

Mensagem de abertura (fala):
“Hoje vamos questionar a promessa da eficiência infinita e imaginar como as IAs podem nos ajudar a aterrar — isto é, reconectar a vida humana aos limites e ritmos do planeta.”


SLIDE 2 – Abertura: Wall-E e o Desterrar

Ponto: Wall-E é uma alegoria do produtivismo levado ao extremo:
– planeta destruído
– sociedade incapaz de cuidar de si
– automatização que desumaniza
– fuga da Terra como solução ilusória

Latour: o que destrói não é só o lixo, mas a ontologia produtivista que “desterra”:

“Agimos como se pudéssemos viver fora da Terra.”

Pergunta provocativa:
E se no universo de Wall-E não houvesse nave? Para onde fugiríamos?


SLIDE 3 – Crítica ao Produtivismo (Rifkin + Latour)

Rifkin:
– Obsessão pela eficiência energética → hiperexploração → crise climática.
– A “era industrial tardia” extrai mais rápido do que consegue regenerar.

Latour:
– O produtivismo é uma cosmologia: o planeta é visto como estoque, não como parceiro.
– É o regime moderno do “fora-da-natureza”.

Mensagem:

“Eficiência virou inimiga da sobrevivência.”


SLIDE 4 – Da Eficiência para a Resiliência

Rifkin:
– Organizações de ponta estão abandonando a eficiência absoluta.
– Nova palavra-chave: resiliência.

Latour:
– Resiliência = condição de aterrar:
permanecer no mundo, aceitar limites, reorganizar cuidados.

Aplicação para IA:
– IA não para maximizar produção, mas para melhorar adaptação, previsão, regeneração.


SLIDE 5 – Latour: Como as IAs Entram na Ontologia do Antropoceno

Latour não vê IA como “máquinas inteligentes”.
Ele vê agentes dentro de uma rede de ação:

– IAs não são objetos isolados.
– Elas reorganizam fluxos de decisão, percepção e mediação.
– Elas alteram a ecologia política do planeta.

Ou seja: IA é “um novo actante” no coletivo terrestre.

Ponto forte:

IAs não substituem humanos: elas redistribuem agência.


SLIDE 6 – Exemplo Real: COVID-19 “pousando o avião”

Latour interpretou o vírus como um actante:
– Ele impôs limites físicos e biológicos ao sistema produtivo.
– Obrigou o mundo a parar — literalmente.
– Forçou debates sobre cuidado, interdependência e vulnerabilidade.

Lição para o pós-produtivismo:
A Terra reage.
Forças não-humanas têm agência.
O planeta não é inerte.


SLIDE 7 – O Conceito de “Aterrar”

Aterrar =
– abandonar a fantasia do crescimento infinito
– reconhecer limites biofísicos
– reconstruir mundos habitáveis
– cooperar com humanos e não-humanos

Exemplos visuais possíveis:
agricultura regenerativa, manejo florestal, comunidades energéticas, economia circular.

Mensagem central:

“Aterrar é voltar a caber no mundo.”


SLIDE 8 – Como Seria Wall-E se Aterrasse (sem nave)?

Agora o exercício filosófico:
No filme, a solução é fugir.
Para Latour, isso é impossível.

Se retirarmos a nave, surgem outras perguntas:
– Como reconstruir ecossistemas?
– Como reorganizar a produção?
– Como conviver com ruínas?
– Como deixar de ser “espectadores” da Terra e virar “cohabitantes”?

Esse contraste deixa claro o que é o pós-produtivismo.


SLIDE 9 – Exemplos Audiovisuais que Ilustram o “Aterrar”

Sugestões fortes:

1. Nausicaä do Vale do Vento (Ghibli)

– Terra tóxica → regeneração.
– Relação de cuidado com ecossistemas.

2. Princesa Mononoke

– Conflitos entre humanos e florestas vivas.
– Redes híbridas e simbiotes.

**3. Kiaw no filme Arrival (A Chegada)

– Linguagem como modo de coabitação, não de dominação.

4. Série: The Expanse (temporadas finais)

– Limites ecológicos interplanetários.
– Política baseada em interdependência.

5. Documentário Kiss the Ground

– Agricultura regenerativa e carbono no solo.


SLIDE 10 – Infraestrutura Digital como Base Colaborativa

Rifkin:
– Plataformas distribuídas
– Energia colaborativa
– Nova economia dos “commons” digitais

Latour:
– Tecnologias são meios de composição de mundos, não instrumentos neutros.
– IA pode ajudar a “cartografar as controvérsias” e a negociar coexistência.


SLIDE 11 – O Papel da IA num Mundo Pós-produtivista

IA como ferramenta de regeneração ecológica

– Monitoramento ambiental
– Otimização de uso de recursos
– Avaliação de risco climático
– Redução de desperdício

IA como ferramenta de redistribuição e colaboração

– Plataformas cooperativas
– Micro-redes energéticas inteligentes
– Assistentes para produção local e de baixo carbono

IA como mediador

– Tradução de conhecimentos
– Mediação entre agentes humanos e não-humanos
– Modelagem de futuros possíveis


SLIDE 12 – Empatia como Infraestrutura Futurista

Rifkin:
“Empatia é a nova força produtiva.”

Latour:
“Precisamos de alianças, não de certezas.”

Aplicação prática:
– IA criando acesso igualitário
– Ambientes de aprendizagem colaborativa (como seu curso de coescrita)
– Simulações que ampliam sensibilidade ao planeta


SLIDE 13 – Síntese Geral

✔ Crítica ao paradigma da eficiência
✔ Importância da resiliência e do cuidado
✔ Latour: aterrar, redes híbridas, agência não-humana
✔ Rifkin: colaboração, infraestrutura distribuída
✔ IA como aliada para reconstruir, não acelerar
✔ Wall-E como metáfora do desterro
✔ COVID e ecologia como actantes
✔ Caminhos práticos de aterragem


SLIDE 14 – Chamada à Ação

Pergunta final ao público:

“Como sua empresa, seu projeto ou sua pesquisa podem ajudar o mundo a aterrar?”

Propostas:
– repensar métricas de sucesso (não só KPI → mas impacto)
– adotar IAs para regenerar, não extrair
– fortalecer redes locais
– investir em práticas de cuidado e de sensibilidade ecológica


SLIDE 15 – Fechamento

Mensagem final:
“Nenhuma tecnologia, nenhuma IA, nenhum crescimento faz sentido se não coubermos mais no planeta. A boa notícia é que temos como reconstruir — colaborando com humanos, máquinas e a própria Terra.”


Coescrito com ajuda de IA

Referências principais:
LATOUR, Bruno. Onde Aterrar? Como se orientar politicamente no Antropoceno. Bazar do Tempo, 2020.
RIFKIN, Jeremy. A Era da Resiliência: Repensando a existência da nossa espécie para nos adaptarmos a um planeta Terra imprevisível e restaurado. Cultrix, 2024.

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